terça-feira, 15 de dezembro de 2015
MOON
Até breve lua
Até breve filho
Meus amores navegam com o vento solar
Através do universo
Através do espelho
Bebo a água divina, sinto o espirito em elevação
Sou meu filho, sou o olho do lobo, sou o coração que resiste
Sou o que pesca os sonhos na lua
Sou o astronauta do navio solto no espaço
Sou você quando você amar tudo ao seu redor
Sou o som ao redor
Até breve lua
Até breve esse amor
Breve regressarei
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
ps:
ele diz - na despedida eu escrevi em um filtro de café "vou amar e já volto" depois colei ele na porta.
ela diz - eu gosto muito dessa sua parte!
domingo, 21 de julho de 2013
sábado, 23 de março de 2013
COLOR BAR
É a fonte de luz, é a branca neve que já senti, é o doce em comunhão, é o sopro das bolhas de sabão na varanda, é o olho cortado de "Luis Buñuel", é o desenho do amor na projeção do futuro. No teu muro tem a poesia visual da tempestade e sobre o céu tem a chuva de granizo no dia da festa. Aqui dentro tem a alegria das crianças brincando no tapete da sala... Crash, boom, bang!E tem também na nossa cozinha o Hot-Dog da tia Sil, o azulejo português, o leite derramado,acho que tem lá no cesto de remédios, nenhum dos remédios. Só tem chá de boldo e erva cidreira em cima da geladeira, tem caqui e a benção D'avó sentada lá no quintal, tem a raiz, tem o cheiro de bolinho de chuva, tem o meu filho com sono e tem a mulher da minha vida nesse papel...É bom amar! Lá fora tem o café ao pé da escada e a Dona Rosa no jardim do além,tem aquela pausa de tudo. Eu fiz o mundo ser mágico! Eu fiz ele caber em uma lona de circo, eu fiz uma foto nossa sem nenhum foco, eu revelei coisas estranhas, revelei o verde (pois essa é a minha cor) revelei a menina de cabelo solto e encaracolado, ela tem o anel da Duquesa, ela tem a magia! Eu caminhei durante dias... Eu perguntei sobre a casa S|N°, eu encontrei aquela pequena levada pelo vento, ela estava na ponta...Dependurada no balanço de cabeça pra baixo, reconstruindo seu coração de argila. Ela apontou o dedo e avisou-me com seu silêncio que todo o sentimento era uma falácia, uma bobice de dar dó...No fim, chorou que as minhas instantâneas nunca existiram, eram elas todas imaginarias. Eu voltei do sonho e parei no vinho, goles com "Chet Baker"...Há tempos! Mais no meu Cineminha particular existem algumas "Divas", na película "36 mm" tem Virgínia, tem Beli, tem Babi, tem Julia e tem a Menina que lê Foucault. Tem também a sereia e a abelha, e no fim do fôlego e do roteiro tem o teu olho azul (isso parece ser para sempre)...Happy End! Há, sim...Não posso esquecer... Agora também tem o fim da minha poesia tola e fofa!O fim de um período! Agora é o foda-se!Eu arrombo a porta com a clava e a atitude tatuada,te pego pela cintura sem avisar,pois sou brega, canalha, belo, bruto e tenho a coragem comigo todas as noites. Tenho o "Steinhaeger" e as telas e a boêmia de "Toulouse Lautrec" eu tenho o direito autoral do "Eu Subversivo". Eu tenho o "Gótico", o "Barroco", a "Geração Beat", o "Cinema Novo" e "Woodstock", tenho o filme do "Woody Allen" e a poesia de "Rimbaut". Agora é tempo da entrega das chaves e das notas do subsolo. Eu já dormi na rua, eu já dormi e transei na cama da poetisa , eu visitei o Mar de Iemanjá, eu abri toda a Íris e fiquei cego, eu grafitei os fogos de artifícios, eu cravei o foguete no olho da Lua, eu escrevi sobre São Francisco, eu andei no caminho do meio, eu ando no meio fio, na trincheira eu orei por você, eu te pintei na parede da casa de Deus, eu te desejei, eu escutei "Like a Rolling Stones" esquentando os teus dedos, sussurrando "Você é minha" no teu ouvido. Eu voltei e olhei pela fechadura da casa S|N° eu vi o Camaleão postado no "Aquário Azul Fantástico", ele observava os meus passos,ele mirava o meu olho castanho claro. Eu vivi na Glória e no subterrâneo,eu bebi meus amigos e me perdi pelas vinhas...Evoé! Eu li a Bíblia, eu doei minha veia, eu derrubei o altar, me converti ao rock and roll, eu me tornei inquebrável e ilusionista. Sou "Sonic Youth" no teu ouvido. Sou Aires domando você bem por cima de você!
No eixo sou os meus sentidos soltos flutuando sobre a casa mágica, sobre a flor que sobrou e sobre o fim!
Mais tem a virada e o fim do ato, tem o risco, o rabisco e o corte seco da edição, tem o colchão no chão e a luz magenta que tinge os teus seios e as tuas cavidades,tem o espelho e nele a tua sobrancelha feita, as tuas unhas vermelhas arranhando a parede branca. Vem?! vamos arrancar a casca da tinta, borrar a noite sobre o teu suspiro...Quebrar a janela da alma, lançar o nosso corpo entorpecido no risco do apego, do prazer, do torto, do calor. Tem o fogo que vem do quintal! Ele consome toda a lição de casa, a lista de paradigmas, os balões, ele queima o banco, o sofá laranja, o álbum branco, as cartas do meu pai, o pôster da Bailarina afogada, os filmes do " Méliès", a Galharufa...A placa com o "Não" e tudo mais que achei debaixo da cama! É a Ponte...Agora é chegada a hora da minha partida...Vejo a grande travessia! Há de ser a sonhada éspera nas reticências... Pode ser!Talvez hoje receberia a surpresa do fim de todos os meus dias...Então me abrace. Agora tem o resto do vinho e eu aqui sentado na escada, olhando o rescaldo e os olhos giratórios do camaleão... jogado no colo de "Seshat" e com o sorriso dado e ato-a, consumido por "Baco", consumido pelas chamas! Lá no quarto o fim do filme, color bar na TV e "The Doors" no volume máximo, "Love me two times,i'm goin' away"...Vem?!
É a fonte, é a branca neve que já senti, é o
doce em comunhão, é o sopro das bolhas de sabão na varanda,é o
jk
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
Dois...
[Luz
no plano esquerdo- A Atriz esta sentada, ela canta e acaricia sua barriga -Foco
no plano direito- o Ator coloca um disco de vinil em um toca disco portátil –
música-]
TELL
Passei
a me acostumar com a rotina. Eu lia os livros que viviam jogados pela casa, mais
tarde descobri que a maioria dos livros era de um cliente pseudo-intelectual de
Anne, há... Era dele o Baudelaire. No demais, eu Jantava, almoçava, tomava meu leite
e ouvia os discos na hora combinada, meu gosto era variado, de Coltrane a Sebastian
Bach, de Piaf a música Húngara, e assim por diante. Anne me trazia alguns
discos novos, junto às pastinacas, ovos e o sorvete de pistache, eu dizia a ela
que eu odiava sorvete de pistache, ela ria e se punha a lambuzar com o tal
sorvete. À noite me trazia chá e fechava a cortina da janela vermelha, deitava-se
por cima de mim e apagava a lamparina. Já não me incomodava a clientela de Anne
e nem os risinhos e gemidos, agora já imperceptíveis. Eu já não sabia mais do
meu amor por Anne. O que acontecerá? Mas
continuava a pensar nela, de alguma forma. Será que ela era a mesma do banco? E
eu era o mesmo do banco? Je sais pas!
jk...
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
O
Quadro de Klimt
Parte I (com filtro)
Ábdito a alma que ama, abrevio a Ventura...
Indago os mosaicos colados por ti... No cartão-postal.
O teu Amor...
Aspirado por mim em um dia monocromático, e
inspirado (talvez) pelo entorpecente sopro idílico.
Já contraída a paixão nas noites imensas e dionisíacas... Ou
nos sonhos em super 8 mm,
nas lembranças de cores
saturadas...
E nos meus passos matinais...
O joelho ainda dói!
Espere...
Vamos voltar juntos, preciso dizer:
É Sobre os adjetivos que sempre te envio... Sobre as Polaróides...
Sobre o preto e branco e o rabisco de um talvez...
No profundo e nesse ínterim,
quero obter tua verve única, e te revelar em telas abstratas.
Tu e teu amor jamais explorado!
Ábdito assim o meu sentimento, ao menos mais uma vez...
Só por hoje!
Pois amanhã, será Deus o nosso tempo.
Eis nossa Aventura...
Eis-me aqui, ávido pelo o ouro de teu beijo!
Eis-me aqui, ávido pelo o ouro de teu beijo!
Parte II (sem
filtro)
Correndo da chuva!
Sem sinal, sem linha...
Sem Quadro algum na parede!
Vejo Tarkovisky, releio Dostoiévski, escuto Tchaikovsky...
Besteira tanta vodca!
Não Basta!
A resposta se encontra na rua, no sinal verde, nas mãos dadas...
É isso! Agora...Volto a viagem introspectiva,
eu restauro o “Quadro de Klint” em teu beijo...
eu revelo nele o silêncio... Derramado e Imersível.
E aqui... Na tela branca... Na ponta do pincel N°5/0
No ponto de fuga, na tal anomia , na tinta seca, que...
O Dilúvio vem ao som de Bach (St. Matthew Passion) Erbarme Dich...
É profundo quando
se sabe ouvir... É que...
O amor não espera, ele vai e cai em algum lugar...
É nessa hora que te sobra tanto ...
Que me basta aceder e crer nesse belo que nos permeia.
Abstraindo os temores e o não amor...
A busca? A lenda de Danae? O
blá, blá, blá do pensamento... O beijo!
Qual é o quadro?
Eu achei... É ele pendurado aqui.
Eis o Dourado de Klint, o amarelo girassol e o chá quente sobre a
pia...
Na Retina a Flor do Sol... Ela gira á procura de luz, não dos
vasos...
( **Que... Vaza, escorre pelo corpo... Borra, bagunça, dança e renasce dourado. É tanto...)
Aosomde: http://vimeo.com/9281483
Visite: http://www.klimt.com/
Letra|jk...
domingo, 27 de janeiro de 2013
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O Barco e o Escafandrista
Foi quando emergiu do mar para emanar algo real! Trazia consigo uma mensagem de que esta tudo bem, de que a vida é esse som que te faz ninar, é essa aquarela que tinge o céu e respinga em teu barco levado pela maré. O resto é colorido, sim! Então não tenha medo...Olha as nuvens preenchidas de tinta... Contemplastes! Foi quando saiu do escafandro e se pôs a pescar estrelas do mar...
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sábado, 5 de janeiro de 2013
PS*TEVALORIZO
Encontrei-te ao contemplar a via láctea...Junto a outras estrelas, na
tempestade de fim de tarde, no dia encharcado e sem guarda-chuva...
Encontrei-te equilibrando-se na linha do horizonte, nos ventos solares, no meio
da multidão alheia a
coisas belas, na faixa de areia junto às outras estrelas
do mar... Achei também o vento do litoral que engarrafamos para nós, lembra? No
fundo do mar procurei pelos destroços os dias e discos que tocamos em outrora,
pelo diário de nossos planos que hoje são belos...mas não os encontrei, achei
apenas a casca de noz que não podemos mais quebrar, nela a duas vidas em
vias opostas com cores de mar e ventos diferentes. Podemos guardá-la? Encontrei-te na
fotografia 3x4... Aquela que ainda guardo na caixa de sapato e você não lembra
mais. Achei o álbum branco e os nossos amigos de 15 anos, os nomes de nossos
filhos no pedaço de papel, o seu desenho preferido, o meu filme eterno, a carta
dobrada e datada... Encontrei-te no meio do caminho sem um par para dançar, na
calmaria do mar mediterrâneo, na musica perdida, na frase final do seu mural.
Encontrei-te, e a guardarei novamente no lugar do sol, no espaço que é só meu e
seu... Tu serás minha Ariadne, minha Amada imortal e a estrela de um único e
azul brilho. Dormirei observando a aurora boreal para te encontrar em sonhos,
escreverei em meio às ondas para te encontrar nas páginas preenchida com a arte
da saudade. Por sorte avistei o mar...
Olha só o que eu achei!
jk
DE VIOLÃO NAS COSTAS
Meu pai é músico. É por isso que
eu tenho vinis do Jhonny Winter, Jimmi Hendrix, Rolling Stones. Por causa desta
influência tenho outros vinis também além dos que afanei dele. Em 1983, quando
eu nasci, meu pai achando que eu fosse me chamar Luis Filipe, me comprou um
violão, um Di Giorgio de madeira belíssimo. Depois ele achou que minha irmã
fosse se chamar Marlon, comprou outro violão, mas nasceu Helena. Quando a
Mariana, terceira filha nasceu, ele não arriscou mais nomes de homens e parou
de comprar violões. Se conformou em ter três filhas. Tentou me ensinar violão e
o máximo que aconteceu foi eu saber cantar um pouco, ser mais ou menos
afinadinha. Do instrumento sei alguns acordes que saem abafados quando os
tento. Logo começa a machucar os dedos e já desisto. A inteligência musical é
uma das mais rebuscadas que tem, dizem , e eu acredito nisso. Devo ter herdado
um pouco esta inteligência, mas não a disciplina que um instrumento exige. Como
o violão é muito bonito pensei em consertá-lo para botar na estante da sala,
assim quando vier visita que toca, eu canto. E quando não tiver ninguém em
casa, eu tento uns acordes.
Levei por recomendação do papai a
um consertador profissional de violas, violões e guitarras na vila madalena.
Meu pai não conseguia me dizer o nome e número do lugar então tive que
achar pelas características que ele me deu:
-É um japonês cabeludo, meio
véio, numa casa azul na Teodoro Sampaio.
-E onde fica a casa na Teodoro
Sampaio?
-É uma escada que sobe, antes da
galeria.
-Escada que sobe. Qual galeria,
pai?
-É… depois sobe mais outra
escada, são duas escadas. Tem que ser com esse cara ele sim é bom. Ele vai
dizer o que precisa fazer no violão.
- E como ele chama?
- Não sei. Mas tem que ser lá, só
pode ser lá.
O pior é que eu encontrei o lugar
facilmente! O japonês cabeludo não trabalhava mai lá. Quem me atendeu foi
um senhor argentino chamado Juan. A parte de baixo da loja tinha exposto
vários instrumentos de cordas muito bacanas. A parte de cima, da segunda
escada, era uma marcenaria de instrumentos. Lugar sonoro, encantador. Cheio de
músicos testando, tocando. Deixei minha viola nas mãos de Juan.
Sábado a tarde depois de uns 5
dias, fui buscar a bichinha. Novinha em folha. Tinha umas esposas de músico me
olhando na loja, todas tatuadas, fumavam cigarro na varanda no topo da primeira
escada. Tem tipo um palco ali, talvez para as pessoas ensaiarem. Me disseram
que as vezes até tem shows nesse espaço.
- Você toca faz tempo? –
perguntou-me Juan com sotaque argentino.
- Sim.
- Quer testar?
- Não, não, imagine, só de olhar
já dá pra ver que tá massa.
Fumei um cigarro de filtro
vermelho, fiz cara de artista e segui pela Vila Madalena no sábado de sol com o
violão nas costas. Comecei descendo a Teodoro Sampaio e depois subindo a Praça
Bendito Calixto, lotada de gente a passear pela feirinha de antiguidades, e
pelos bares e cantos dali. Então me dei conta que estava de óculos escuros do
Ray Charles, coturnos pretos, calça preta e uma camiseta branca com um desenho
em preto muito louco. Eu estava sendo vista como uma rockeira “madalenandante”.
Quando cheguei ao beco da vila
madalena, espaço de paredes grafitadas e constante eventos culturais, percebi
que haviam montado um half de skate. Tocava ska, som perfeito para o
esporte.
Conta-se pelos antigos moradores
da Vila Madalena, os velhinhos que ainda conseguem dormir na badalada região,
que toda a extensão que compreende os bairros Vila Beatriz, Vila Ida e Vila
Madalena, pertenciam a um português. Fazenda do Rio Verde. Quando
ele vendeu os lotes para prefeitura , pôs os nomes das filhas nas divisões
feitas. Mas a vila Madá, como a apelidamos, virou a preferida dos artistas. Ela
ascendeu assim por causa de um bondinho que botaram nela no começo do século.
Hoje um apartamento dos chiquérrimos arquitetos franceses da Tryptic,
construído na região valem mais de milhões. É que os ricos seguem os artistas.
Agora o bairro valorizou tanto que nenhum artista pode viver lá, mas ainda
passeiam e se apresentam por ali.
Muitos deles me cumprimentavam
com olhar e gesto parceiro, achando que eu fosse uma guitarrista a caminho do
trabalho.
- Toca rock? – me perguntou um na
rua.
- Opa!-
- MPB também? Reggae?- fiz
com a cabeça que sim!
Ele disse nome de bandas que eu
conhecia e eu disse que tocava todas aquelas! Então ele constatou:
- “Nóis do som têmo que tocar
tudo mêmo! Essa é a lei! Não sendo sertanejo, já era! Hahaha!”
Concordei de novo e continuei
caminhando. Não estava mentindo, toco tudo isso no som de casa! Adorei
sentir o assédio de andar na Vila Madalena com figurino de guitarrista.
Enquanto o sol se punha nas cores vibrantes da Vila que nascia pra noite
boêmia.
POR[LIVIAPRESTES]
*Trecho da Carta "Adeus ao Teu Carnaval" ou " O Ponto Final do Poema de Baudelaire"
Dia 21 de Janeiro comprei o livro “Primeiro Amor” de Samuel Beckett e eis a surpresa. Era eu o sujeito no banco,
na essência da essência, espremi o que era eu e mantive os fatos fictícios do
texto, adaptei-me de outra dor, e o que fica (acho) é a sutileza parte que
presto a DOIS,
e a um ser que já não é o mesmo, pelo menos não o mais do mesmo, Decidi dizer
isso, decidi falar da queda, da partida, do grito, dessa dor passageira, dessa
coisa crônica nossa que tem nomes variados em tempos diferentes e só passa com
a chegada de outro ser, decidi montar esse texto, ele poderá ser utilizado ou
não, poderá sim ganhar vida. E foi isso sabe, quando descobri que a amava, como
o sujeito da peça, que indaga qual é o tipo de amor que sente por ela, mas
mesmo assim ele volta, pra depois não voltar mais, Pois tudo esta dentro, é
difícil sair, e tem o lado do medo da queda. Mas também isso é difícil pra mim, pq a coisa toda virou uma “supernova” depois da explosão, e com o passar do tempo poderá
ser mais fácil, como diz Baudelaire “...Finda-se o amor, vem a saudade, até que
o esquecimento os arremesse a um canto, e os lance enfim á eternidade” Mas isso
é foda , mas é bem real e cru e é também “All things must pass” o titulo do LP
do Harrison que não paro de escutar, mais esse LP não tem “ give me love“,
então...Penso e aceito a nossa frase como algo verdadeiro, algo que punge no
âmago, aquilo que se cria e que se cuida como especial e único...Você é responsável por aquilo que cativas! Mas tudo se transforma, a
natureza se transforma e nos transforma, acabam sempre sobrando os porquês. Mas se
eu estivesse ai contigo? No que nos transformaríamos ou nos transmutaríamos? Talvez, feito
lagarta e borboleta? Estou arrumando a casa, baby, como vc disse um dia, é isso!
Estou mandando um jazz, improvisando no que sei, mas tentando manter esse som
só pra mim, por enquanto! Solo e sem solo até voltar a emergir pra emanar algo
real. É Tempo! Eu
sei que vc estará lá...E se eu achar um banco vou deitar e te observar...Eu vou lembrar...Eu vou ver "A Arvore da Vida", vou
arriscar no xadrez, vou ouvir "postcards from italy", vou mandar aquela carta que
nunca mandei, vou dar risada do taxista mudo e talvez até resolva experimentar o teu sorvete
de pistache.
Merci!
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quinta-feira, 8 de novembro de 2012
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
As time goes by - Chet Baker
MisterBaker...
"...Você deve se lembrar deste...Um beijo ainda é um beijo... Um suspiro ainda é (apenas) um suspiro...As coisas fundamentais se aplicam. Como o tempo passa..."
{paranoitesembriagantesecheiasdesuspiros}
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
HomenagemaoMestre
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http://www.youtube.com/watch?v=6OjY6saoOdE
trilhasonora.>PequenoPrincipeFeliz>Direção:RonaldoMichelloto(inmemoriam)
*Leiam...Please! Ébomd+
A Luta do Século
-
A luta do século! - bradou o Guedes.
-
Churrascão lá em casa! - completou o Vasquez.
Murmúrios
bovinos ecoaram na repartição. O Teles deu até aquela coçadinha no alto da
nuca, bem onde o cabelo terminava e a careca começava. Churrasco na casa do
Vasquez rimava com catástrofe. A casa era ótima, quintalzão, piscina e tudo
mais, e o Vasquez era um querido. O problema era que ele não entendia nada de
churrasco. Uma vez achou uma peça de cinco quilos de músculo perdida entre as
picanhas, arrebatou-a sem sequer conferir a etiqueta e chegou em casa exultante
com a barganha, até um segundo olhar confirmar que aquela carne não seria
mastigável nem se assasse por cem anos. Fora que chovia, sempre chovia. Era
batata, assim que o carvão entrava em brasa, o céu desabava. Mas desta vez era
diferente, a luta era do século, e o churrasco também seria. A luta aconteceria
na noite de Las Vegas, e passaria aqui de madrugada, quase ao vivo, compraram
logo o pay-per-view pra não ter erro. Portanto, o churrasco seria à noite, não
teria tanto problema assim se chovesse, o que era praticamente certo. Diziam
que quando o Vasquez marcava um churrasco as trajetórias das frentes frias
alteravam-se radicalmente. Alertaram o Guedes, que era novo na repartição, mas
ele não titubeou:
-
N_ão tem problema, o evento principal vai ser sob um teto.
E
quanto ao outro problema, o do churrasco de músculo, também não era um
problema: o Guedes era um ás do espeto, e sua fraldinha tinha fama
internacional. Logo o pessoal matou a charada: a ideia do churrasco tinha sido
toda do Guedes, que, também logo, o pessoal descobriu que tinha três grandes
paixões: churrasco, artes marciais e a Glorinha da contabilidade. Ah, a
Glorinha da contabilidade, nesta paixão o Guedes não estava sozinho: mais da
metade da repartição arrastava um caminhão pela Glorinha da contabilidade. A
Glorinha, assim como mais da metade da repartição, não dava muita bola para
churrascos ou lutas, mas iria à festa por consideração, já que também era uma festa
de boas-vindas para o Guedes.
Chegada
a grande noite, tradicionalmente chuvosa, o Guedes, sob o toldo, impressionou a
todos em geral e a Glorinha em específico com sua fraldinha, sua linguiça e
suas previsões abalizadas para a grande luta. Quando os contendores subiram ao
ringue em HD, e quando até quem odiava sangue estava ansioso para ver algum
jorrar, entre mordidas de picanha mal-passada, caiu um raio no transformador da
esquina, que explodiu em chamas azuis. Cinco segundos depois, outro transformador
explodiu, mais cinco segundos e chegou o Teles. O Teles era famoso por ter conseguido certa vez derramar a
mesma taça de vinho no sofá branco do anfitrião e na camisa de seda, também
branca, do supervisor mais chato da repartição. Diziam que o Teles conseguia
quebrar até uma faca Guinsu. O Teles chegou, virou para dar um abraço em alguém
e deu uma cotovelada no que estava atrás. Lembrou que esqueceu o cigarro no
carro e saiu. Deixou a porta aberta. Quando o Vasquez voltou com as velas,
notou que os cachorros tinham fugido. Correu pela rua, xingando o sujeito que
deixou a porta aberta até a nona geração. E volta o Teles, que olha bem dentro
dos olhos do Guedes, que estava acompanhando tudo, ainda meio chocado com a
perspectiva da realidade, e diz: "não fui eu". Alguns dos mais
frustrados pelo súbito blecaute chegaram a insinuar que o Teles tinha que ter
alguma coisa a ver com aquilo - no mínimo, teria batido com o carro no poste.
Quando o Guedes ouviu esse cochicho, entrou em chamas. Aquela luta era a revanche
da revanche da revanche. Guedes aguardava aquilo faziam exatos oito meses e
vinte e sete dias. Fora que estava se matando para fazer um churrasco perfeito,
mas, sem luz... Era como fazer uma cirurgia cardíaca no escuro, toda a precisão
morre, e o paciente também, artérias entupidas. Alguns disseram que a festa
ficou até melhor, que o violão amplificado estava muito distorcido, e que a luz
de velas era muito mais intimista. Ao ouvir isso, Guedes ficava roxo, e se
perdia no corredor, murmurando: "minha luta, minha luta, minha
luta...", como se a luta fosse de fato dele, como se, deixando de vê-la,
as chances de sucesso do seu favorito diminuíssem drasticamente.
Quanto
ao Teles, a parca iluminação só fez ajudá-lo a manter sua reputação. Quarenta minutos
após sua chegada, todas as taças estavam quebradas e os convivas bebiam do
gargalo. É claro que não foi o Teles quem quebrou todas as taças, mas de fato
as taças só começaram a ser quebradas em massa depois da sua chegada. Alguns
diziam que era uma aura que ele irradiava, uma influência que era impossível
escapar. O único que não quebrou nada foi o Guedes, agarrado à sua latinha de
cerveja, churrasqueiro de raiz, frustrado até a gota. Teve uma ideia: ligar
para o cunhado, pedir para ele colar o celular na TV para ver se dava para
captar alguma coisa. Não estava dando. Quase chorando, o Guedes resolveu
aceitar aquela garrafa de uísque que o Vasquez tinha ofertado para aplacar-lhe
a angústia. Sentou num degrau isolado, serviu uma dose, pôs a garrafa de uísque
na frente dos pés e observou o refletir dourado e bruxuleante do líquido
adiante das velas, celular colado no ouvido, ouvindo estática. Foi quando o
Teles passou correndo e chutou a garrafa de uísque, estilhaçando-a em mil
caquinhos. O Guedes quis botar o rosto entre as mãos e chorar, mas a Glorinha
da contabilidade surgiu através das velas e ele engoliu as lágrimas:
-
Posso tomar um gole do seu uísque? Eu estava bebendo vinho, mas parece que o
Teles quebrou a última garrafa, e parece que a dose que está na sua mão também
é a última.
E
a Glorinha pôde. Tomar um gole, dois, três... Quando estava se sentindo meio
tonta, e quis ir embora pra casa, "pra não fazer bobagem", eles
descobriram que o Teles, ao ir embora, conseguiu quebrar a chave dentro do trinco
da porta, de maneira que todos ficaram presos na casa do Vasquez até às sete da
manhã, quando chegou o chaveiro. "Todos", no caso, eram o Guedes, a
Glorinha, e os donos da casa, que, bons e calejados anfitriões, ofereceram um
único quarto:
-
Desculpa, gente, só tem esse quarto. O sofá da sala está impossível.
-
Problema nenhum. - respondeu o casal, em uníssono.
Duas
semanas depois, o Guedes ainda não sabia o resultado da luta.
por>guilhermesiman...Baseado em um certo ser e outros ser(es) +
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